Reavaliação do lugar.

Não distanciar nada.
Nenhum pensamento.
A imagem, enfim, estacionada.

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corpo-cidade

Imagem

:transcorre na rua:

.o corpo

matéria da minha alma

a cidade

matéria do meu movimento.

Categorias:Uncategorized

Experiência

Hoje eu perdi o ônibus. Ele saiu sem me esperar. Não parou onde deveria. Estava lotado.
Não consegui olhar ninguém nos olhos.
Hoje ele estava tão lento que senti sono durante a viagem. Por alguns instantes, me encantei com a criança que sentou ao meu lado.
Hoje ele demorou.
Fiquei um tempo esperando.
Peguei o ônibus com o vizinho desconhecido.
Hoje eu corri para alcançá-lo. Ele errou o caminho…nunca tinha visto motorista errando o caminho de volta para casa.
Hoje eu peguei o ônibus para chegar mais depressa.
Na rua, o ônibus mistura e aquece.
Agride e se mexe.
Polue e distribue gente.
Ele é o risco que afetou a homogênia pintura do carro novo.

Categorias:Uncategorized

Projeções urbanas

Tema: Projeção visual do movimento urbano.
O que o sonho e a montagem de imagens nos proporcionam foram fixados em uma série de quatro imagens, através da sobreposição de materiais e vidas urbanas.
O deslocar-se pelo espaço da cidade acarreta uma vivência marcada pela solidão e pela instantaneidade dos sentimentos.
Um dos intuitos dessa nova experiência visual é abusar da colagem como instrumento de compreensão do imaginário urbano. Essas imagens não são nada mais do que representações do que podemos chamar de cultura urbana…influenciada pela supermodernidade do Marc Augé.
Nesse contexto, a figura humana, mais uma vez, tem importância fundamental. Sobrepostos em um do cenário completamente urbano, eles caminham e se expressam…apressados ou sem destino.
O gesto direto que cai sobre o caos automobilístico ou a pressa da garota que vê no chão uma projeção de um carro numa rua em ambiente noturno. Enquanto isso, o garoto corre enquanto se diverte com as formas concretas que o cercam. A mulher solitária caminha demonstrando que a satisfação, na maioria das vezes, antecede a morte do desejo.
Nada de surrealismo, isso é concretude no imaginário.
Imagens no flickr.

T(r)emor Urbano

A experiência no espaço urbano acontece de forma bastante diversa.
Uns andam rápido, sem olhar muito por onde passam…outros, em alguns momentos, se dão o privilégio de percorrer a cidade atentos à expressões humanas e a própria arquitetura do local.
O trabalho e a correria diária produz um tipo de anestesia sensorial que nos faz passar por várias situações sem nos importar com aquilo. Daí a idéia de que com o tempo, nos acostumamos com o lugar onde moramos. Passamos a ficar tão imunes àquelas sensação maravilhosa de estranhamento que sequer percebemos mudanças físicas nas ruas e lugares por onde percorremos.
A série T(r)emor Urbano trata de situações, cotidianidades e vivência experimentadas por mim com o objetivo de trazer um olhar diferenciado sobre as vivências urbanas. Com um movimento que não descaracteriza o transeunte, mas que o coloca em ambientes, de certa forma, imaginários.
O sorriso feminino que encara o rapaz na parada de ônibus, a rua que deixa de ser lugar de concretude e passa a ter uma aparência flutuante, o prédio recortado como colagem manual, postes e fios balançando como se controlassem seus próprios movimentos…A cidade deixa de ser firme e concreta e passa a ter características fluídas e desconcertantes.
Essa experiência visual nos apresenta também a cidade que pulsa e controla seus habitantes de acordo com sua forma física e abstrata. Não é à toa que Massimo Canevacci afirma que a cidade possui o antropólogo, ela molda seu comportamento, ações e percepção.
Os efeitos que mudam a estrutura estática da fotografia nos dão uma visão diferenciada do espaço urbano e da relação que pode vir a acontecer no passeio urbano, tanto consciente quanto inconscientemente.
Essa breve série é para quem sonha de olhos abertos ao caminhar pelas ruas de qualquer cidade.
A série T(r)emor Urbano está sendo postada no flickr.

Não-lugares: sessão I

“[…]Se um lugar pode se definir como identitário, relacional e histórico, um espaço que não pode se definir nem como identitário, nem como relacional, nem como histórico definirá um não-lugar. A hipótese aqui defendida é a de que a supermodernidade é produtora de não-lugares, isto é, de espaços que não são em si lugares antropológicos e que, contrariamente à modernidade baudelairiana, não integram os lugares antigos: estes, repertoriados, classificados e promovidos a “lugares de memória”, ocupam aí um lugar circunscrito e específico.” (Auge, 1994, p.,71)
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A questão é:  os não-lugares existem?

Categorias:Não-lugares

Instantâneo no ônibus

Poucas pessoas sentadas

A senhora entrou

Nem reparei

Entre aqueles outros

Num instante, a olhei

Uma lágrima solta corria

Há tempos não via uma lágrima cair

Sem gestos

Nem mãos que as escondesse do meu olhar

Alheio, curioso

Desceu duas paradas depois

Continuei ouvindo o barulho do motor

O som abafava o choro.

Categorias:Não-lugares